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Sonho da mãe, Servidora deixa meio político para se dedicar à arte sacra

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Dominique Biancardini, 35, sempre trabalhou no meio político, fazendo assessoria para prefeitos e governadores. Sua mãe, Nádia Biancardini, também trabalhou a vida toda no meio, na Assembleia Legislativa, mas sempre amou a arte sacra. Há dois anos, sem grandes pretensões, a filha acabou mergulhando de cabeça no meio e, hoje, tem o artesanato religioso como seu meio de vida.

Dominique e a mãe, Nádia (Foto: Arquivo Pessoal)

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O primeiro trabalho veio quando Nádia construiu uma casa no sítio, e queria um quadrinho para decorar a parede. Ela pediu a ajuda da filha, que nunca tinha feito artesanato. “Era um momento em que eu estava de licença maternidade, tinha acabado de ganhar meu filho e não estava trabalhando, estava há um tempo dentro de casa. Eu tive tempo pra poder fazer essa procura pra ela, de ir atrás dessas lojas que vendem material pra montar essas coisas”, lembra Dominique.

Quadrinho feito para o sítio da mãe (Foto: Arquivo Pessoal)

Foi um vendedor de uma dessas lojas que a ajudou. Os quadrinhos ficaram prontos e fizeram sucesso entre parentes, amigos e vizinhos, que começaram a pedir também. A licença maternidade acabou, mas Dominique continuou em casa, pois tinha combinado com o marido que ficaria por três anos cuidando do filho. Os pedidos continuaram, até que uma tia elogiou o trabalho dela – que nasceu em Poconé, mas vive em Cuiabá desde pequena. O vendedor da loja, que a esta altura já tinha se tornado um amigo, também elogiou, e perguntou porque ela não investia nisso como um negócio.

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“Um dia estava na casa da minha sogra, e uma amiga minha que se chama Elizete – que é hoje a coordenadora da nossa loja, o Empório Cuiabano – estava sabendo dos meus trabalhos. Ela estava num projeto de montar uma parceria com algum shopping, de montar uma loja coletiva, mas que na loja só vendesse produtos que nós mesmos confeccionássemos”. A amiga a convidou, e ela aceitou o desafio.

Ao mesmo tempo, outra amiga, que vendia essências e aromatizantes propôs a Dominique que ela fizesse bandejas para compor sua vitrine. O aprendizado foi todo pelo Youtube, e o resultado, mais uma vez, agradou a todos.

No Empório Cuiabano, que se instalou no Goiabeiras Shopping, suas peças fizeram sucesso, e mais desafios chegaram: um dia, uma cliente pediu para que ela fizesse uma Nossa Senhora decorada com pérolas.

“Fui novamente no Youtube, busquei como fazia isso, e fiz. Ela achou lindo. Então apresentei essa possibilidade pras minhas sócias da loja. Todas concordaram e eu iniciei”. Depois disso, Dominique começou a buscar ajuda neste meio. As concorrentes não se prontificaram a ajudar, até que ela encontrou uma artesã antiga da cidade e começou a fazer um curso. “Ela não queria ensinar, mas disse que foi com a minha cara e abriu a possibilidade”.

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Hoje, Dominique recebe as peças ‘cruas’ de Minas Gerais, e faz ela mesma a pintura e decoração. Os santos são ‘campeões’ de venda dentre seus produtos, seguidos das caixas com divino pra batizado, primeira comunhão, casamento; quadrinhos infantis e bandejas. Todos são feitos sob encomenda, mas também estão disponíveis à pronta entrega na loja do Goiabeiras Shopping.

“Eu busco muito a qualidade. Eu não procuro fazer de qualquer forma só visando lucro. Acho que por isso que eu vejo nos clientes a satisfação, porque eles percebem o carinho com que eu faço a peça”, finaliza.

Serviço

Bendita Arte
Pedidos e encomendas: (65) 99215-7106
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A alegada extinção do CONAD e o direito fundamental ao uso religioso do Chá Hoasca

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Naiber Pontes (e) e Carlos Teodoro Irigaray

O Centro Espírita Beneficente União do Vegetal (UDV), sociedade religiosa criada por José Gabriel da Costa (Mestre Gabriel), em 1961, no coração da floresta Amazônica, com o objetivo de trabalhar pela Paz no mundo, utiliza o Chá Hoasca (também conhecido como Ayahuasca) como Sacramento em suas cerimônias religiosas (Sessões do Vegetal), que se destinam ao estudo da espiritualidade, recolocando ao ser humano a dimensão divina da Natureza e lhe oferecendo a oportunidade de religação espiritual com o Sagrado, através do desenvolvimento de virtudes morais, intelectuais e espirituais.

Criada num ambiente de simplicidade, a UDV se expandiu progressivamente aos centros urbanos e, a partir da década de 90, chegou a outros países, levando seus ensinos simples e universais de amor ao próximo e a prática desinteressada do bem, sem intuito comercial ou finalidade lucrativa, respeitando a sua própria origem, e também a cultura local e as diferenças nos países onde chega.

Atualmente, pessoas de 47 nacionalidades estão seguindo a União do Vegetal. São mais de 21 mil sócios em cerca de 220 sedes no Brasil e em dez países das Américas, Europa e Oceania, com o conhecimento e anuência das autoridades competentes, administrativas e sanitárias, não havendo registro de qualquer incidente ou ocorrência.

Desde então, a UDV tem atuado firmemente na defesa do direito fundamental à liberdade de religião, de modo a assegurar a todos os seus filiados o livre e pleno exercício de sua crença e culto religioso.

No Brasil, em momentos não tão distantes, essa liberdade foi posta à prova, quando em 1985 a Divisão Nacional de Vigilância Sanitária de Medicamentos (DIMED), órgão do Governo Federal, por meio de uma Portaria e sem qualquer estudo prévio, listou entre as substâncias proibidas o cipó Mariri e qualquer substância dele obtida, aí incluído o Chá Hoasca.

A União do Vegetal, atuante na defesa dos direitos de seus filiados, imediatamente tomou a iniciativa de requerer ao Conselho Federal de Entorpecentes (CONFEN) a revisão da Portaria proibitiva uma vez que inexistia qualquer estudo que comprovasse que o Chá Hoasca era prejudicial à saúde das pessoas que o comungavam. Na verdade, as evidências eram (e são) no sentido de que é benéfico à saúde física e mental, o que se evidencia quando usado em um contexto religioso responsável.

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Com esta iniciativa da UDV, a proibição foi suspensa, tendo o Centro atuado de forma sistemática também junto ao Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (CONAD, que sucedeu o CONFEN em 1998). A UDV teve então importante papel na nova e mais completa regulamentação do uso religioso do Chá Hoasca, por meio da Resolução 1/2010.

O reconhecimento do direito ao uso religioso do Chá Hoasca está fundamentado não apenas na Constituição Federal, que assegura a todos o direito ao livre exercício de sua liberdade religiosa, mas também na Lei 11.343/2006, que reconhece o direito ao plantio, à cultura, à colheita e à exploração de vegetais e substratos de plantas de uso estritamente ritualístico-religioso, em observância à Convenção de Viena, das Nações Unidas, sobre Substâncias Psicotrópicas, de 1971.

No plano internacional, além dessa Convenção, o International Narcotics Control Board (INCB), órgão vinculado às Nações Unidas (ONU), afirmou textualmente que o Chá Hoasca (Ayahuasca) e as espécies vegetais que a compõe, não são objeto de controle internacional. Na mesma linha, recente e importante documento das Nações Unidas foi publicado em março de 2019, contendo Diretrizes Internacionais em Direitos Humanos e Políticas de Drogas, em que se recomenda expressamente o respeito à liberdade de pensamento, consciência e religião, inclusive quando tais manifestações envolverem o uso de substâncias psicoativas para fins religiosos ou espirituais em rituais e cerimônias (International Guidelines on Human Righs and Drug Policy).

Na defesa desse direito, que está alicerçado também na Declaração Universal dos Direitos Humanos, a UDV moveu ação contra o Governo americano e ganhou em todas as instâncias, inclusive na Suprema Corte que, por unanimidade, reconheceu o óbvio: a União do Vegetal é uma religião sincera e seus filiados têm direito ao uso religioso do Chá Hoasca (Gonzales v. O Centro Espirita Beneficente União do Vegetal 546 U.S. 418 -2006).

Hoje, a UDV guarda uma boa relação com as autoridades brasileiras e também norte-americanas, que autorizam a importação regular do Chá Hoasca, atendendo a normas sanitárias e de segurança de transporte, tudo sob a supervisão do governo, e dentro da lei.

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Embora no Brasil esse direito já esteja expressamente reconhecido através da Resolução CONAD No 1/2010, a recente publicação do Decreto 9.759, de 11 de abril de 2019, gerou o receio de extinção do CONAD e das Resoluções por ele aprovadas que normatizam o uso da Hoasca no Brasil.

Contudo, cabe esclarecer que o Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (CONAD) é órgão central do Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas, sendo suas orientações e normas princípios de observância obrigatória, conforme previsto em lei (Lei nº 11.343/2006). Ou seja, ainda que houvesse sua extinção, suas normas e orientações não seriam automaticamente revogadas, permanecendo plenamente vigentes e produzindo os seus regulares efeitos.

A União do Vegetal acompanha a edição de Decreto que promove a reorganização administrativa de órgãos colegiados do governo e considera que a subsequente edição do Decreto 9.761 (posterior ao Decreto 9.759), que aprovou nova Política Nacional sobre Drogas, sinaliza claramente a permanência do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (CONAD) na estrutura do respectivo Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas.

Permanecendo o CONAD, ou outro órgão que venha a assumir as suas atribuições, o que se espera é a continuidade de políticas públicas que visem promover o respeito à cidadania, aos direitos humanos, incluindo a liberdade religiosa e a tolerâncias a todos os credos, notadamente quando já tantos anos se passaram desde a primeira regulamentação sem que haja qualquer prejuízo social conhecido no âmbito do uso responsável do Chá Hoasca.

Dessa forma, o direito fundamental ao uso ritualístico religioso da Hoasca continua assegurado, nos termos das normas já mencionadas, permanecendo a União do Vegetal vigilante e alerta na defesa desse Sagrado Sacramento e seu uso responsável, que tanto bem vem trazendo às pessoas, com seu trabalho em prol de uma fraternidade Universal.

Texto pubicado originalmente no Blog da UDV.

(*) Carlos Teodoro Irigaray é Mestre Assistente Geral do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal.

(**) Náiber Pontes de Almeida é integrante do Corpo do Conselho da Sede Geral (Brasília-DF) do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal .

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