conecte-se conosco


Esportes

Somos tão insignificantes que jogamos enquanto choramos

Publicado

Desculpa, mas não sei o que escrever. Não sei enaltecer o gol santista no último instante. Nem Jean Mota, Cueva, Sampaoli. Não sei criticar o bom Soteldo pelo gol perdido. O inacreditável gol perdido. Falar sobre Pelé, Neymar, Robinho. Tudo é pequeno demais perto do que aconteceu na sexta. Qualquer assunto é pequeno demais. Nós somos pequenos demais.

Leia também: Presidente do Fla lamenta mortes: “Maior tragédia do clube em 123 anos”


Não sei falar sobre os meninos que se foram lá no Flamengo
Twitter/Reprodução

Não sei falar sobre os meninos que se foram lá no Flamengo

Não sei falar pelas dez mães que perderam seus filhos. O quarto vazio. A gaveta cheia de cheiro e carinho. Não sei falar pelas paredes que ficaram, os travesseiros que ficaram, os abraços que ficaram. As roupas. Os sonhos. Não sei falar sobre o menino que faria aniversário no sábado. E daria o primeiro pedaço de bolo pra mãe. Não sei falar de bola quando meu rosto não sorri. Muito pelo contrário: chora.

Leia também: Flamengo pagou apenas 10 das 31 multas cobradas pela prefeitura do Rio

Leia mais:  Hamilton bate recorde de Interlagos e garante pole position do GP do Brasil

Não sei falar sobre os sonhos que eles tiveram. Ainda que sejam os mesmos que os meus, um dia. Não sei falar sobre os arrepios que sentiram no primeiro teste, os desafios nesse curto espaço de tempo, o que pensavam. Como treinavam. Não sei falar de adolescentes no passado verbal. Não sei falar por eles. E não pretendo. E não acho justo escrever sobre os gols que saíram no final de semana.

Sei falar que não era para ninguém jogar. São Paulo, Salvador, Porto Alegre. BH, Manaus, seja lá o que for. Não era para disputar no final de semana. Era para abraçar. Apertado. Chorar junto. De mãos dadas. Era para pensar junto. Demonstrar carinho. Criar carinho.

Não sei escrever pelos que ficaram. Nem dizer pelos pais dos que escaparam. Não sei chorar o mesmo choro de ninguém. Meu sentimento é de impotência. Eu não sou ninguém. O futebol é muito pequeno. Títulos, brigas, carrinhos. Abraços são grandes. Mas rápidos. Discussões duram mais tempo do que abraços. E podem não terminar nunca. Sei escrever que também morremos ali. Todo mundo morreu um pouco.

Leia mais:  Dois anos após tragédia da Chape, sobrevivente diz que ainda não conseguiu voar

Leia também: Ao som de “Parabéns a você”, vítima de incêndio no Flamengo é enterrada

A provável eliminação do São Paulo é pequena. O pouco futebol do Corinthians. A derrota do Palmeiras no clássico é pequena. Os milhões por Gabigol e Arrascaeta. Todos os campeonatos possíveis. As vitórias, empates, derrotas. Zico é pequeno. Adilio é pequeno. Andrade é pequeno. Todos que nasceram no Ninho são pequenos. Todos nós somos pequenos.

Não sei o que falar. Somos tão pequenos que chutamos enquanto choramos. Criticamos enquanto choramos.

Fonte: IG Esportes
Comentários Facebook
publicidade

Esportes

Aos 44 anos, Anderson Silva luta pelo espetáculo – e que mal há nisso?

Publicado

por


Anderson Silva agachado
Divulgação

Anderson Silva, lutador brasileiro do UFC

Onde você estava aos 44 anos? Onde estará? Com essa idade recém-completada, Anderson Silva mostrou à imprensa presente no seu treino dessa quarta-feira (17), no Rio de Janeiro, que ainda tem ‘lenha para queimar’. E nós, da Ag. Fight, pudemos acompanhar de perto um treino leve do ex-campeão dos pesos-médios (84 kg).

Clique aqui e leia mais colunas da Ag. Fight

Com o característico bom humor, Anderson Silva já chegou à Escola de Boxe Cesário Bezerra fazendo brincadeiras com os parceiros de treino.

Após se aquecer no tatame, ‘Spider’ recebeu instruções e testou algumas posições com o mestre de jiu-jitsu Ricardo de la Riva. Depois disso, foi se experimentar contra os colegas.

Ao som de música instrumental que remetia a trilhas sonoras de filmes épicos, Anderson mostrou que continua afiado no jiu-jitsu.

Apesar de a arte suave não ser a sua especialidade, durante o ‘rola’ ele foi claramente superior aos parceiros, apesar de não deixar as brincadeiras de lado. “Tem uma parada aqui”, falou, apontando para o rosto do colega. Desprevenido, o companheiro de treino abaixou a guarda
e deixou o pescoço à mostra para o ‘Spider’ encaixar um ‘mata-leão’.

Leia também: Conor McGregor erra ainda mais ao não aprender com os erros

Leia mais:  Campeão em 1966, Booby Moore é eleito maior esportista britânico da história

A provocação aos oponentes, aliás, foi uma constante durante o trabalho. Muito criticado por parte dos fãs e da imprensa por fazer uso exagerado desse artifício em algumas de suas lutas, no treino dessa quarta, Anderson não poupou seus parceiros de suas brincadeiras – mesmo diante de um grande número de jornalistas atentos a cada movimento do lutador.

“Vem tranquilo”, provocou o atleta do UFC, em referência a um ‘meme’ que recentemente viralizou nos aplicativos de mensagem e nas redes sociais.

Após o ‘rola’ do jiu-jitsu, o ‘Spider’ descansou um pouco, antes de mostrar a sua maior especialidade: o chute. A idade não parece ter afetado a potência e a precisão do golpe do campeão do Ultimate de 2006 a 2013, mas o passar dos anos fez com que ele adaptasse o seu
treinamento.

“O que eu faço é me expor menos. Tem coisas que a gente não tem mais como fazer. Antigamente, eu fazia esse treino e a gente saía no soco ali, um cortava o outro, machucava o braço, e no outro dia eu estava zerado. Hoje em dia, tenho que ter um pouco mais de cuidado e toda a equipe tem essa consciência”, relatou Anderson após o treino.

Agendado para voltar ao octógono no próximo dia 11 de maio, no Rio de Janeiro, contra o pouco conhecido Jared Cannonier, o ex-campeão dos médios parece ter consciência de que o final da carreira está próximo, mesmo persistindo no discurso pouco plausível de que pode disputar o cinturão nas “três ou quatro lutas” que ainda restam em seu contrato.

Leia mais:  Palmeiras vence o Ceará e amplia vantagem na liderança do Brasileirão

“Eu acho que todo lutador que está no UFC pensa no título. Já tive toda essa experiência (…), então nada disso é novo. Tudo o que vier agora a gente absorve como conhecimento. Então, o objetivo é estar bem, ir lá fazer o que eu amo”, concluiu.

O que muitas vezes não fica suficientemente claro aos fãs – e até aos jornalistas, que insistem em cobrar do Spider os resultados dos velhos tempos – é que é justamente o clima de brincadeira, bom humor e show que dá sentido à carreira de Anderson hoje em dia.

Leia também: Doping de campeões mancha esporte, mas enaltece esforço do UFC

Aos 44 anos, sem os mesmos reflexos de antes e ultrapassado por muita gente mais nova e no auge, não haveria qualquer razão para que o ex-campeão entrasse no octógono se não fosse a sua vocação para o espetáculo.

E quem for ao UFC 237, no Rio de Janeiro, terá a chance de assistir à luta que, muito provavelmente, será o fechar das cortinas do ‘Spider’ Anderson Silva no Brasil.

Fonte: IG Esportes
Comentários Facebook
Continue lendo

Polícia

Mato Grosso

Entretenimento

Esportes

Mais Lidas da Semana