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Política

Precisamos de todos para declarar guerra à aglomeração

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Desde o início da pandemia, em março de 2020, Mato Grosso tem sido um estado que sempre aliou salvar vidas e também salvar os empregos. Permitimos praticamente todas as atividades econômicas, impondo apenas algumas restrições muito pontuais para evitar aglomerações. Mas agora estamos em uma situação crítica, assim como todo o País. Batemos recorde de mortes diárias, chegando a 125 nesta segunda-feira (22.03). Essas vidas, meus amigos, não voltam. E a dor dos amigos e familiares é sentida por toda a vida. E nós do Governo não podemos ficar inertes: fomos à Assembleia propor que os feriados fossem antecipados, para termos maiores restrições nos próximos 10 dias, além daquelas que já colocamos em vigor.

O projeto não foi aprovado, infelizmente. Estamos numa democracia e o poder do governador não é absoluto. Tentamos e continuaremos a tentar fazer aquilo que é certo e respaldado na ciência. Com ou sem feriados, quero pedir a colaboração de todos para que nos esforcemos para praticar e reforçar o distanciamento social, porque o momento exige isso para salvarmos a sua vida, a vida da sua família e das pessoas que você ama. Somos o estado brasileiro com o menor índice de adesão ao isolamento social por parte da população, de acordo com o Mapa Brasileiro da Covid-19. E isso reflete diretamente no contágio e, por consequência, nas mortes.

Sabemos que é um momento difícil. Que é difícil deixar de lado os almoços em família, a confraternização com os amigos. Mas é justamente para preservar a vida de todas as pessoas que a gente ama, e a nossa, é que precisamos fazer esse esforço. Não será um decreto ou uma lei, sozinhos, que vão resolver o problema. O contágio ocorre pelo contato humano, e só com a colaboração de toda a população poderemos reduzir a contaminação e as mortes. Precisamos que daqui para a frente haja um pacto pela vida, e uma guerra contra a aglomeração. Que seja um período de reflexão, de distanciamento, de oração, de fé em Deus.

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Peço para que não façam festas ou aglomerações, porque isso irá prolongar o sofrimento que todos nós estamos passando. Quanto mais rápido conseguirmos baixar a ocupação de UTIs, reduzir o contágio e as mortes, mais rápido poderemos retornar à nossa vida nesse novo normal. Aumentamos as multas para pessoas e empresas que aglomerarem. Triplicamos para quem reincidir, e vamos fechar os estabelecimentos que insistirem na ilegalidade. Seremos intolerantes com irresponsáveis que possam causar a morte de mais mato-grossenses. O Governo, com as nossas forças de Segurança, vai intensificar a fiscalização nos locais de frequente aglomeração, como os condomínios, os bairros, beira dos rios, portas de conveniência e outros.

Estamos sensíveis às dificuldades de você, trabalhador. Também sou empresário. Já presidi Sesi/Senai, Fiemt. Conheço de perto a rotina de empregadores e empregados. É por isso que criamos o Desenvolve Emergencial, prorrogando e concedendo linhas de crédito para que os pequenos, médios empresários e os setores mais atingidos pela pandemia possam segurar as pontas nesse período, de forma a manter as atividades e o mais importante, que são os empregos. Prorrogamos IPVA e licenciamento para a população, não aumentamos nenhum imposto e continuamos com ICMS zero da cesta básica para aliviar o bolso do povo. Estamos com o maior investimento em obras e ações da história, que estão gerando milhares de empregos. Serão criados 52 mil novos empregos diretos e indiretos até final de 2022. Mas só pode trabalhar quem está vivo, só pode procurar emprego quem tem saúde. Teremos tempo para retomar a economia, mas a luta para salvar vidas é urgente.

Para as famílias de baixa renda, estamos concedendo um auxílio emergencial que certamente vai contribuir para a compra de alimentos, que é a principal necessidade dessas 100 mil famílias necessitadas. Em 2020, entregamos 330 mil cestas básicas e estamos adquirindo mais 534 mil.

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O Governo tem feito o possível e o impossível naquilo que ele pode: Mato Grosso tinha não tinha nenhuma UTI exclusiva para a covid no início de março de 2020. Pouco mais de um ano depois, temos 535 para tratar casos de covid, seja as pactuadas, cofinanciadas e próprias. Estamos em processo de abertura de mais 120 UTIs e 500 leitos clínicos. O problema não é dinheiro, meus amigos. Temos recursos para abrir outras centenas. Mas dependemos de profissionais de saúde, que estão escassos, que estão trabalhando no limite. Precisamos de remédios para UTIs, que dependem do Governo Federal. E de vacinas, que estão chegando aos poucos. Estamos negociando com laboratórios para aquisição direta de vacinas, agora que recebemos a permissão de compra pela Justiça e pelo Governo Federal, mas não é um processo que ocorre do dia para a noite.

Já distribuímos mais de 600 mil testes para todos os 141 municípios e estamos adquirindo mais 550 mil. Enviamos recursos extras de R$ 70 milhões para as prefeituras ampliarem o combate e a prevenção. Ampliamos o Hospital Metropolitano e o Hospital Estadual Santa Casa. Abrimos o Centro de Triagem, que oferece testagem, atendimento, exames, tomografia e até medicamentos se o médico prescrever. Somos o estado que mais testa a população no Centro-Oeste e o que tem a maior média de UTIs por 100 mil habitantes. Mas se a população não colaborar e praticar o distanciamento e as medidas que todos conhecemos, nunca teremos leitos suficientes. Precisamos de cada um de vocês para superar essa situação difícil e evitar que mais vidas sejam perdidas. Por isso, vamos fazer um pacto pela vida, e travar uma guerra contra a aglomeração.

Mauro Mendes é governador do Estado de Mato Grosso.

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Secretário vê risco em reabrir escolas e afirma que neta estudante foi infectada

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Andhressa Barboza/ rdnews

O retorno das aulas presenciais em Mato Grosso não deve ocorrer em breve. Com risco alto de contaminação pela Covid-19, as escolas são locais críticos para espalhar o vírus e preocupa autoridades como o secretário chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho. Ele relata ter visto toda sua família ser infectada após sua neta de apenas 4 anos, que estava frequentando a escola, ficar doente e acabar contaminado parentes próximos.

Na minha família, até dias atrás, estavam todos contaminados e quem trouxe o vírus para casa foi minha neta de 4 anos que estuda em uma escola privada

Chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho

Ele contou o caso, que é recente, após ser questionado sobre um Projeto de Lei que tramita na Assembleia que prevê a inclusão das instituições de ensino públicas e privadas na lista de serviços essenciais.

“Eu tenho muita dúvida com relação a isso. Na minha família, até dias atrás, estavam todos contaminados e quem trouxe o vírus para casa foi minha neta de 4 anos que estuda em uma escola privada. Então, tenho muita dúvida com relação ao retorno das aulas”, alertou.

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Na última semana, o governador Mauro Mendes (DEM) sinalizou que não deve sancionar o projeto que já passou em primeira votação pela AL. Ele também alertou, sem citar o caso de Carvalho, que crianças podem ser infectadas e contaminar parentes.

“Você pega uma escola estadual como a presidente Médici, tem 2 ou 3 mil alunos uma escola dessa. Como vamos fazer? Temos que avaliar cientificamente e eu não gostaria de dar a minha opinião, até pelo que aconteceu com a minha família, mas é uma situação que vamos avaliar com muito carinho”, ponderou Mauro Carvalho.

Em relação ao PL, o secretário preferiu não ser direto em defender uma postura contrária. Mas quis deixar evidente o risco de abrir escolas em um momento crítico para a saúde pública que está em colapso há mais de um mês. Já são mais de 8,4 mil mortos pela doença no Estado e, diariamente, a fila de espera de pessoas graves que aguardam vaga em UTI passa de 100 pessoas.

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“Eu não conversei com o governador sobre essa situação (do PL), mas isso merece um estudo bem aprofundado para que a gente não cometa nenhum ato que vá prejudicar as pessoas. Os critérios precisam ser pensados com muito equilíbrio”, concluiu.

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