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Popularização dos mockbusters gera debate sobre limite entre referência e plágio

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O termo blockbuster, todo mundo já conhece. Pouca gente está familiarizada, no entanto, com filmes independentes construídos com inspiração nesses títulos que dominam o cinema. A essa categoria de produções, se dá o nome de mockbusters.


Os filmes mockbusters trazem à tona uma divisão de opiniões
Divulgação

Os filmes mockbusters trazem à tona uma divisão de opiniões

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Enquanto os blockbusters consistem em filmes com grande orçamento e apelo comercial, cuja divulgação em massa os leva às telonas do mundo inteiro, os mockbusters
são feitos com pouco investimento e acabam pegando um pedacinho dessa grande publicidade que gira em torno do filme.

Com isso em mente, esses filmes alternativos são feitos sob a premissa de lançar na mesma época – ou até antes – que os de grande bilheteria, já que a ideia é aproveitar da popularidade daquilo que está tomando conta dos cinemas no momento.

The Asylum, a Hollywood dos Mockbusters


Os filmes mockbusters trazem à tona uma divisão de opiniões
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Os filmes mockbusters trazem à tona uma divisão de opiniões

A maior produtora do gênero é a The Asylum, cuja sede está localizada em uma cidade da Califórnia, nos Estados Unidos. A empresa é responsável pela produção e pelo lançamento de 25 filmes por ano. Desde sua fundação em 1997, mais de 500 produções cinematográficas foram lançadas. 

Dentre os títulos que fazem parte do vasto portfólio de filmes da The Asylum, estão “Transmorphers”, “Alien Predator” e “Tomb Invader”. O carro-chefe da produtora, o “Sharknado”, já possui 5 sequências e inclusive consta no catálogo da Netflix. Um de seus trabalhos atuais é a série de ação e terror intitulada “Z Nation”, exibida nos Estados Unidos pela emissora de TV por assinatura Syfy
.

Em entrevista ao iG Gente
, o CEO da The Asylum, David Latt, explicou o processo de criação dos filmes produzidos pela empresa. Segundo ele, as produções são feitas a partir do momento em que algum cliente solicita.

Uma vez questionado se o termo mockbuster é considerado pejorativo pelas pessoas do ramo, Latt declarou: “Para nós, é emocionante ter um gênero nomeado para o tipo de filme que fazemos. Somos muito agradecidos de ter a oportunidade de fazer esse tipo de filme que tem um nome próprio”.

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De acordo com David, as pessoas que estão envolvidas no ramo fazem isso porque gostam: “Todo mundo está aqui porque tem uma paixão pelo que faz”, afirmou. Esclareceu, ainda, sobre a expectativa diante dos produtos cinematográficos: “Pequenos filmes desaparecem. Não dá para saber se um filme vai se tornar algo maior”.

Sobre a indústria em si, Latt afirmou: “Estamos criando para um gênero. É emocionante. Não queremos fazer US$ 1 bilhão de bilheteria. Queremos fazer filmes que agradem as pessoas. Nossos filmes são mais crus, originais e divertidos”.

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Divergência de opiniões acerca dos Mockbusters


Os filmes mockbusters trazem à tona uma divisão de opiniões
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Os filmes mockbusters trazem à tona uma divisão de opiniões

Considerado um ramo polêmico da indústria cinematográfica por inúmeros fatores, o mockbuster é responsável por uma verdadeira divisão de opiniões.

Para o designer gráfico e youtuber Jonatas “JT” Oliver, por exemplo, trata-se de oportunismo: “Eu acho que você fazer esse tipo de coisa é um oportunismo a nível muito grande, porque está envolvendo uma galera gigantesca para fazer uma coisa que na verdade já existe”, disparou. No  Canal Moscando
, do YouTube, o rapaz já se manifestou sobre o tema.

A jornalista Sarah Niederauer, entretanto, tem uma opinião diferente sobre essa categoria de filmes: “Assistimos todos os tipos de filmes em minha casa, e foi assim que acabei por conhecer. Não tenho preconceito nenhum. Acho incrível saber que existem. Alguns são hilários”, declarou. Sarah também tem um canal no YouTube, intitulado Cento e Oito
, no qual já falou sobre o assunto.

JT Oliver declarou inclusive que não recomenda ao público geral que o mockbuster seja consumido: “Se as pessoas tiverem curiosidade, podem assistir. Mas eu não recomendo que vejam esse tipo de filme. Eu acho que isso na verdade só vai aguçar a vontade de assistir os filmes originais”.

Enquanto isso, Sarah deixou claro seu posicionamento em relação ao consumo desses filmes: “Eu recomendo, mas só depois de assistir ao original, afinal é uma forma de você dar boas risadas”.

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O próprio David Latt assumiu que esse gênero divide opiniões: “Todos têm uma opinião sobre mockbusters, mas as pessoas sabem o que esperar de um filme da The Asylum. Um filme com um orçamento de US$ 20 milhões, você não sabe o que esperar”.

Arte ou Plágio?


Os filmes mockbusters trazem à tona uma divisão de opiniões
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Os filmes mockbusters trazem à tona uma divisão de opiniões

O professor universitário e especialista em Cinema Piero Sbragia levantou explicações sobre o que é considerado plágio na indústria cinematográfica: “Diferente da música, no audiovisual é mais complexo você colocar partes de uma obra que pertença a outra pessoa sem colocar os créditos para o autor original. O que existe, e é bem comum, são cenas que prestam homenagem a outras. Mas não é o caso de plágio”.

Ainda sobre as semelhanças entre as tramas das telonas, Piero dissertou sobre a estratégia das produtoras independentes investirem em tramas semelhantes às que já demarcaram a aprovação do público: “Não considero inteligente, mas pode ser rentável. É comum você ter avalanches de filmes em função da temática de um bem sucedido”, pontuou o professor.

“O que eu acredito é que hoje, em 2018, o cinema está saturado de cópias. Passamos por um momento de escassez de novas ideias, de novos autores”, Piero defendeu.

Uma vez questionados se o mockbuster pode ser considerado como arte ou plágio, os youtubers mais uma vez apresentaram opiniões divergentes: “Eu não acho que isso seja na verdade nem próximo da arte, porque entendo como arte aquilo que é genuíno, criativo e diferente”, declarou JT Oliver.

Sarah Niederauer vê a situação por outro ângulo: “Esses filmes são isso tudo e mais um pouco. Plágio, arte, tudo misturado. É claro que alguns fatores pesam contra, como serem lançados antes do original, por exemplo. Mas esses filmes são assim mesmo, audaciosos”.

Já para o professor Piero, o que pega mais é uma suposta escassez de originalidade: “A grande questão pra mim, do ponto de vista autoral, é que o mockbuster não cria nada novo, ele se alimenta da criação alheia”.

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Em defesa dos mockbusters
, David Latt pontuou: “Não estamos copiando nada, fazemos nosso próprio trabalho. Nosso objetivo é entreter. As pessoas não deveriam diminuir o que fazemos só porque não gastamos dois milhões em um filme. No fim, fazemos com que os filmes sejam divertidos”.

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A Voz do Brasil faz 85 anos

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O programa de rádio A Voz do Brasil completa 85 anos nesta quarta-feira (22). Idade avançada para pessoas e para instituições no Brasil. Uma frase atribuída a Leonardo da Vinci, que morreu idoso para o seu tempo (aos 67 anos), sentencia que “a vida bem preenchida torna-se longa”.

Em oito décadas e meia, A Voz do Brasil preencheu a vida dos ouvintes com notícias sobre 23 presidentes, em mandatos longínquos ou breves. Cobriu 12 eleições presidenciais, e manteve-se no ar durante a vigência de cinco constituições (1934, 1937, 1946, 1967 e 1988).

programa cobriu a deposição dos presidentes Getúlio Vargas (1945) e João Goulart (1964), o suicídio de Vargas (1954), a redemocratização do país em dois momentos (1946 e 1985), o impeachment e renúncia de Fernando Collor (1992) e o impeachment de Dilma Rousseff (2016).

Além de notícias dos palácios do governo federal, A Voz do Brasil levou aos ouvintes informações sobre a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). O programa narrou as conquistas do país em cinco Copas do Mundo e a derrota em duas – a mais traumática em 1950. A Voz registrou a inauguração de Brasília (1960) e cobriu a morte de ídolos como Carmen Miranda (1955) e Ayrton Senna (1994).

Pelo rádio, e pela A Voz do Brasil, muitos brasileiros souberam da invenção da pílula anticoncepcional (1960), da descida do homem na Lua (1969), dos primeiros passos da telefonia móvel (1973), da queda do Muro de Berlim (1989) e da clonagem da ovelha Dolly (1998).

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Vida longa

A longevidade do programa A Voz do Brasil é assunto de interesse de historiadores e pesquisadores da mídia de massa no país. “É curioso como um programa de rádio se torna uma constância em um país de inconstância institucional, jurídica e legislativa”, observa Luiz Artur Ferrareto, autor de dois dos principais livros de radiojornalismo editados no Brasil.

Para Sonia Virginia Moreira, professora do Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a longa duração do programa “tem muito a ver com a própria longevidade do rádio como meio de comunicação. A morte do rádio foi anunciada várias vezes e ele segue como um veículo muito importante no Brasil.”

“Nenhum governo abriu mão dessa ferramenta fantástica. A longevidade vem da percepção que os diferentes governos tiveram que manter essa ferramenta era algo que trazia uma vantagem enorme para o governo do ponto de vista das suas estratégias e para seus objetivos”, acrescenta Henrique Moreira, professor de jornalismo e especialista em história da mídia no Brasil.

Curiosidades sobre A Voz do Brasil 

 A Voz Brasil nem sempre teve como trilha sonora de abertura trecho da ópera O Guarani (1870), de Carlos Gomes. O Hino da Independência (1822), composto por Dom Pedro I, e Aquarela do Brasil (1939), de Ary Barroso, também serviram para marcar o início do programa.

Inauguração da transmissão do programa A Voz do Brasil, Brasília, DF.
Inauguração da transmissão do programa A Voz do Brasil, Brasília, DF. – Arquivo Nacional

A longevidade do programa A Voz do Brasil é assunto de interesse de historiadores e pesquisadores da mídia de massa no país. “É curioso como um programa de rádio se torna uma constância em um país de inconstância institucional, jurídica e legislativa”, observa Luiz Artur Ferrareto, autor de dois dos principais livros de radiojornalismo editados no Brasil.

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Para Sonia Virginia Moreira, professora do Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a longa duração do programa “tem muito a ver com a própria longevidade do rádio como meio de comunicação. A morte do rádio foi anunciada várias vezes e ele segue como um veículo muito importante no Brasil.”

“Nenhum governo abriu mão dessa ferramenta fantástica. A longevidade vem da percepção que os diferentes governos tiveram que manter essa ferramenta era algo que trazia uma vantagem enorme para o governo do ponto de vista das suas estratégias e para seus objetivos”, acrescenta Henrique Moreira, professor de jornalismo e especialista em história da mídia no Brasil.

Curiosidades sobre A Voz do Brasil 

 A Voz Brasil nem sempre teve como trilha sonora de abertura trecho da ópera O Guarani (1870), de Carlos Gomes. O Hino da Independência (1822), composto por Dom Pedro I, e Aquarela do Brasil (1939), de Ary Barroso, também serviram para marcar o início do programa.

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