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Mato Grosso

Estado admite caos em UTIs e defende “tratamento precoce” em pacientes com sintomas da Covid

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O secretário estadual de Saúde, Gilberto Figueiredo, disse que não é hora de procurar culpados e apontar supostos erros em decisões administrativas — como a não construção de hospitais de campanha e flexibilização das medidas de isolamento social antes do platô —, mas alfinetou “prefeitos incompetentes que não cuidaram das unidades básicas de saúde” e, na visão dele, pioraram a situação do Estado na pandemia de Covid-19. Durante a live desta quarta-feira (24), ele revelou que Mato Grosso chegou a 11.017 casos confirmados, sendo 462 pacientes hospitalizados e 423 mortos.

A taxa de ocupação das UTIs chegou ontem (23) a 87,1%. E as pessoas, reforçou, já chegam aos médicos em estado gravíssimo.

Segundo ele, isso demonstra “claramente” que a maioria desses pacientes estão chegando aos hospitais-referência já na fase de internação porque as etapas anteriores, atenção primária e secundária, não estão sendo adequadamente cuidadas nas unidades de saúde “que deveriam ter para o atendimento básico”. “Isso está agravando na demanda para os hospitais de referência aos pacientes mais graves está aumentando muito. Aquilo que era pra ser o último suspiro, última etapa de um atendimento, está se transformando no primeiro. É preciso, mais uma vez, chamar a atenção para a intensificação e a melhoria no atendimento primário do paciente suspeito ou confirmado de Covid-19, pra abrandar os sintomas, procurar cura antecipada e evitar a chegada à UTI”, disse.

Nesta terça-feira (23), restavam 31 leitos disponíveis e outras 615 vagas de enfermaria. O gestor da SES revelou ainda que 3.907 pessoas conseguiram se recuperar.

Entre os internados, 241 convalescem em enfermarias.  Há hospitais privados com 97% de taxa de ocupação de UTI. “Praticamente não há mais na rede privada. Pessoas que têm plano de saúde e não vão conseguir acessar UTI. Imagine a rede pública? Chegou o momento em que as pessoas tem que ter uma consciência maior, não dá mais pra apostar na tática de que ‘se eu ficar grave, eu vou conseguir um leito de UTI’ [público ou privado] porque ele não está mais disponível”, alertou.

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Há uma força tarefa criada para ampliar, no Estado todo, as vagas em hospitais e construção de novas unidades de saúde, mas as condicionantes não permitem que as ações sejam céleres na velocidade que se precisa, continuou o secretário. Entre os que estão internados, há 67 em leitos privados, 162 em públicos e 12 em hospitais filantrópicos. Porém, há outras 221 pessoas internadas em leitos de UTI, sendo 44 em hospitais privados, 160 no SUS e outros 17 nos hospitais filantrópicos. “O cidadão precisa, neste momento, fazer sua parte, porque se você ou sua família precisarem, vai haver desconforto e sei que não precisa ter passado por isso para saber como é ter um parente precisando de uma UTI ou até mesmo vendo ele ir pra uma UTI. O mundo está com essa deficiência”, expôs.

Gilberto Figueiredo também alfinetou com mais força o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) na questão do lockdown e uma vez mais falou que decisões de compras de respiradores — há 30 aparelhos já comprados que Mato Grosso não consegue receber da China — ou medicamentos devido à alta nos preços impostas pelos fornecedores, tornam tudo mais difícil para os gestores, pois todos têm medo de passar “a vida inteira respondendo processo” de improbidade administrativa. “O governo não vai adotar lockdown no Estado, inclusive porque o Tribunal de Justiça já decidiu. Se você tem cinco filhos, vai dar analgésico pra todos? Não. Tem prefeito competente que adotou as medidas corretamente e que não podem ser punidos por aqueles que não fizeram”, disparou.

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Para ele, continua valendo a tese de que município que já atingiu o nível de risco muito alto também esteja obrigado a tomar medidas mais rígidas que as até aqui decididas, “mas também defendo que aqueles que fizeram gestão de forma correta, tomou as medidas, não devem ser punidos por aqueles que deixaram de fazer. Decisões regionais, municipais, estão sob a tutela dos prefeitos”.

SINTOMAS LEVES

O secretário, inclusive, defendeu o tratamento com medicamentos quando as pessoas estão apresentando sintomas leves e não apenas quando eles se agravam. Segundo ele, muitos médicos na atenção primária – postos de saúde e policlínicas – têm orientado os pacientes a irem para casa e não prescrevem nenhum medicamento. “Dizem apenas para voltar se apresentarem o quadro mais grave”, frisou.

Ele pontuou, porém, que toda medicação deve ser prescrita por um profissional de saúde. “Eu nunca disse que era contra o Kit covid. O que eu não concordo é em fazer um pacotinho e distribuir indiscriminadamente para as pessoas. Se houver receita médica, acredito que ele pode ser entregue sim para tratar as pessoas de forma precoce, ainda na atenção básica e impedir que cheguem à UTI”, explica Gilberto, que anunciou que o Estado está adquirindo diversos medicamentos para distribuir às prefeituras no Estado.

 

 

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Por G1 MT

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