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De campeã a dispensável em cinco meses, Cris Cyborg vive limbo no UFC

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Cris Cyborg foi nocauteada por Amanda Nunes no UFC 232 e perdeu o título dos pesos-penas
Divulgação

Cris Cyborg foi nocauteada por Amanda Nunes no UFC 232 e perdeu o título dos pesos-penas

Os 51 segundos que definiram a superluta entre Amanda Nunes e Cris Cyborg levou a primeira ao título e a última a uma situação de limbo no mínimo estranha para quem, até cinco meses atrás, era a campeã peso-pena (66 kg) do UFC .

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De lá para cá, a paranaense Cris Cyborg viu sua categoria perder tanto em demanda quanto em interesse, já que a ‘Leoa’ roubou-lhe o título. Para se ter uma ideia, desde então, o Ultimate realizou 16 eventos e 185 lutas — e só uma delas, no último sábado (18) foi no peso-pena feminino. Mas falaremos sobre ela em breve.

O duelo contra Amanda era o penúltimo do contrato de Cris. Ou seja, um triunfo sobre a campeã da divisão de baixo a colocaria em ótima posição para negociar com o Ultimate: poderia pleitear um contrato melhor e até conseguir a liberação para a luta de boxe que tanto planeja fazer.


Amanda Nunes nocauteia Cris Cyborg
UFC/Divulgação

Amanda Nunes nocauteia Cris Cyborg

Mas as mãos pesadas de Nunes abortaram esta ideia. O nocaute sofrido pela paranaense esvaziou ainda mais a categoria peso-pena, que já não tinha muitas lutadoras contratadas — sequer tem um ranking oficial — e agora tem uma campeã que não faz questão da sua existência.

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Sem uma divisão para reinar, Cris Cyborg passou a flertar com uma migração para o pro-wrestling – entretenimento de lutas simuladas. Provocou Ronda Rousey quando esta ainda era “campeã” da WWE, principal organização de telecatch.

Não funcionou.

Tentou chamar a atenção da liga novamente ao pedir um confronto contra Becky Lynch, detentora do cinturão que era de Rousey.

Água de novo.

Agora, tem divulgado eventos da All Elite Wrestling, organização recém-lançada pelo bilionário paquistanês dono do clube de futebol Fulham (ING) e da franquia de futebol americano Jacksonville Jaguars, da NFL.

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As postagens em suas redes sociais parecem significar que Cris Cyborg já está estreitando seus vínculos com a nova liga. Ela, no entanto, ainda precisa fazer sua última luta para conseguir ser liberada pelo Ultimate, uma vez que os contratos dos lutadores com a organização de MMA são assinados em regime de exclusividade.

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Cris Cyborg no UFC 222
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Cris Cyborg no UFC 222

E aí voltamos a falar sobre o único combate peso-pena feminino realizado pelo UFC nos últimos cinco meses. No último sábado, em Rochester (EUA), Megan Anderson e Felicia Spencer se enfrentaram, com vitória desta última por finalização.

Embora Spencer seja uma semidesconhecida do grande público, com apenas sete lutas profissionais e só uma no UFC, ela obviamente mirou para o único alvo disponível: Cris Cyborg. Ainda no octógono, Felicia a desafiou e recebeu resposta quase imediata pelas redes sociais, com a brasileira apontando, inclusive, data e local para o confronto acontecer.

Confira mais coluna da AgFight no iG Esporte

A reação de Cris Cyborg denota a urgência com que ela parece querer se livrar do contrato com o Ultimate. Prestes a completar 35 anos e ciente de que Amanda Nunes não fará nenhum esforço para defender o cinturão peso-pena, ‘Cyborg’ sabe que precisa aproveitar ao máximo o tempo que lhe resta de carreira – ainda que, por mais surreal que isso seja, o fim de sua jornada no MMA seja melancólico.

Fonte: IG Esportes
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Por que a camisa número 24 é “proibida” no futebol brasileiro?

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Jovem goleiro Brenno é o camisa número 24 do Grêmio arrow-options
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Jovem goleiro Brenno é o camisa número 24 do Grêmio

Você sabia que, dos 20 clubes que estão disputando a Série A do Campeonato Brasileiro, apenas um deles possui jogador usando a camisa número 24? É o Grêmio. E quem utiliza é o jovem goleiro Brenno Fraga .

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O número 24 é praticamente proibido para os jogadores do futebol brasileiro. E também na sociedade brasileira num âmbito geral. A explicação mais provável e mais plausível para isso é folclórica, cultural e com referência bastante antiga, de mais de 100 anos.

No popular ” Jogo do Bicho “, bolsa ilegal de apostas criada no Rio de Janeiro em 1892 por João Baptista Viana Drummond, a quadra estipulada ao animal veado é a 24ª, contendo os números 93, 94, 95 e 96. Ou seja, o 24, no ambiente machista do futebol, é relacionado a homossexualidade.

Conversamos com o goleiro Brenno sobre o número de sua camisa. “Não foi uma escolha minha de ter esse número, mas também não chegaram em mim e falaram para eu usar. Não vejo problema nenhum, não tenho esse pensamento. O importante é ir para os jogos e ajudar a equipe”, disse o jovem de 20 anos ao iG Esporte .

“Foi o meu número de estreia (no Campeonato Gaúcho deste ano). Estreei em um Gre-Nal, então vai ficar marcado na minha vida como uma coisa boa. Por isso não vejo problema nenhum, é super tranquilo, não tem mistério”, continuou Brenno.

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Jovem goleiro Brenno é o camisa número 24 do Grêmio

O goleiro gremista disse ainda que nunca foi alvo de piadas ou brincadeiras preconceituosas por conta do seu número. “Nunca. Pelo menos diretamente para mim, não. Nem jogador e nem torcedor, de ninguém”, finalizou.

Obrigação pelo número 24

Entretanto, nos torneios sul-americanos, como Copa Libertadores e Copa Sul-Americana, a Conmebol obriga os clubes a terem um jogador com a camisa 24, já que a inscrição tem que ser sequencial, de 1 a 30. Essa é a única exceção à regra.

Diante dessa obrigação, os times do Brasil costumam colocar o terceiro goleiro com essa camisa, como no caso do Internacional, que teve o arqueiro Daniel com a camisa 24 na Libertadores. Seu número, porém, é o 42.

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Já no Flamengo, o zagueiro espanhol Pablo Marí é o 24 na Libertadores, sendo que ele usa o 4 no Brasileirão, enquanto o Palmeiras teve o atacante Carlos Eduardo com essa numeração na competição – no Campeonato Brasileiro ele é o número 37.

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CONMEBOL/DIVULGAÇÃO

Pablo Marí é o 24 do Flamengo na Libertadores, mas no Brasileirão usa a camisa 4

Heterossexismo explícito

Na opinião de Gustavo Andrada Bandeira , doutor em educação pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e autor do livro “Uma História do Torcer no Presente: Elitização, Racismo e Heterossexismo no Currículo de Masculinidade dos Torcedores de Futebol”, os jogadores buscam se afastar de tudo que questiona a sua masculinidade afim de evitar qualquer desgaste com torcedores.

“Os times representam torcidas. O jogador é o representante do torcedor, ou do sócio, se a gente for pensar no clube. Ele dentro do campo tem que desempenhar o que o torcedor espera. E o que o torcedor espera não é só jogo de futebol, não é só qualidade técnica, gol, passe, drible… ele também quer uma representação de outros valores”, disse em contato com o iG Esporte .

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“Independentemente de estado ou país, a sexualidade é um conteúdo muito importante para esses torcedores. O atleta não pode apenas jogar bem, tem que jogar bem e representar uma masculinidade aceitável que, obviamente, é uma masculinidade não homossexual”, continuou Bandeira.

Para ele, qualquer referência mostra o limite e a fraqueza dessa masculinidade. “Imagina, um número nas costas. É realmente uma falta de confiança e uma masculinidade que tem ser provada o tempo todo, o tempo todo sob vigilância, sob controle e que qualquer coisa é perigosa”, disse.

“Se o jogador puder evitar problemas, e aí eu entendo o lado do jogador, esse é um a menos. Já que os torcedores acham importante que você não use o número que faça esse tipo de referência, então não usa. E isso chama bastante atenção”, completou Gustavo Andrada Bandeira.

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Tabu dentro do futebol

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Homofobia no futebol

Ainda de acordo com Gustavo Andrada Bandeira, a presença de jogadores homossexuais no futebol não é novidade. “E sim, todos estão dentro do armário, escondidos e performatizando como se homossexuais não fossem. O torcedor prefere não ser representado por um homossexual “, avaliou.

O doutor em educação pela UFRGS considera que tudo que puder ser usado como piada ou deboche será utilizado na provocação e, no contexto a masculinidade, é algo que se torna alvo dessas piadas e dessas brincadeiras. Até por isso, é melhor, conceitualmente para o torcedor, que ele não tenha um jogador que coloque em risco sua masculinidade.

“O ambiente do futebol para os jogadores profissionais é de mercado de trabalho, e um mercado extremamente competitivo e pouquíssimas vagas. Estamos acostumados a ver os jogadores famosos, mas a ampla maioria é de atletas que não conseguem jogar o ano todo e que até precisam trabalhar em outra coisa para compor salário”, lembrou.

“Se um jogador assumir a sua homossexualidade, talvez até pudesse jogar. Mas ele teria que ser muito melhor do que os outros. Caso contrário, em qualquer erro de passe, ele não erraria o passe por erro técnico, mas sim por ser homossexual. Então seria muito perigoso assumir e ele fecharia portas para um mercado restrito”, disse Bandeira.

Apesar desse tabu que ainda existe no futebol brasileiro em relação à homofobia, Gustavo Bandeira aposta em dias melhores no futuro. 

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“A homofobia não é novidade no futebol brasileiro, é uma coisa antiga. O que é novidade é a gente perguntar se ela deveria estar aí, se não deveria ser feito outra coisa, se não está errado essa homofobia. Isso é novidade e nos faz permitir ser otimista”, disse.

“Os clubes estão abraçando as causas, fazem campanhas contra o preconceito, pelo dia de visibilidade, de lutas de sexualidades não normativas. Dá para ter uma pequena esperança de que dias melhores nesse conteúdo aparecerão no futebol brasileiro”, finalizou o especialista.

Fonte: IG Esportes
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