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Saúde

Covid já matou 19 médicos e contaminou 334 em MT, conforme dados do CRM

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Por: Douglas Santos/Rdnews

O novo coronavírus já venceu 19 profissionais que atuavam na área médica em Mato Grosso. Ao todo, 334 médicos já foram infectados pelo vírus. Desses, 106 conseguiram se recuperar, seis estão hospitalizados e 97 permanecem em monitoramento domiciliar. O Estado tem um das maiores incidências de mortes por Covid-19 entre os trabalhadores da área da saúde. Os dados são do Conselho Regional de Medicina do Estado de Mato Grosso (CRM-MT).

De acordo com o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde desta sexta (09), até o dia 03 de outubro foram notificados 1.322.505 casos suspeitos de Covid em profissionais de saúde no e-SUS Notifica. Destes, 329.028 foram confirmados para o novo coronavírus. As profissões de saúde com maiores registros dentre os casos diagnosticado foram técnicos de enfermagem (112.241), seguido dos enfermeiros (48.480), e médicos (33.788).

Ao todo, 330 trabalhadores da área da saúde não resistiram à doença, sendo 112 técnicos de enfermagem, 63 médicos e 41 registros de óbitos entre os enfermeiros. O sexo feminino foi o mais frequente, com 211 (55,2%) mortes registradas em decorrência da Covid-19. Dados do Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso apontam que 33 profissionais entre técnicos de enfermagem e enfermeiros foram vencidos pela doença.

Segundo o Ministério da Saúde, os estados que apresentaram o maior número de casos notificados hospitalizados por Covid-19 em profissionais de saúde foram: São Paulo (455), Rio de Janeiro (99) e Pará (73). Em relação às mortes causadas pela doença foram: São Paulo (114), Sergipe (27) e Rio de Janeiro (26).

Em geral, a doença causada pelo vírus já matou mais de 150 mil vidas no Brasil. O número de óbitos registrados no país representa como se um pouco mais de toda a população do município de Sinop (a 479 km da Capital) também tivesse perdido a batalha para o coronavírus.1ª morte entre médicos

O primeiro caso confirmado pela doença foi a do especialista em ultrassom Agnaldo Cesário da Silva, de 53 anos. Ele morreu no dia 21 de junho, em Lucas do Rio Verde, na região Médio-Norte do Estado. Ele deixou a mulher e dois filhos. O profissional atuava em um hospital da cidade de Lucas do Rio Verde.

Segundo o CRM-MT, Agnaldo foi um dos pioneiros da medicina no município.

Já a vítima mais recente se trata do médico neurologista Luiz Eugênio Cervellini, de 79 anos. Ele estava em tratamento, mas não resistiu aos sintomas e apresentou complicações e agravos no quadro respiratório, vindo a óbito no dia 26.

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O neurologista atendia em uma clínica própria, no bairro Jardim Cuiabá. Era bastante requisitado para entrevistas por sua especialidade com tratamento voltado à dor de cabeça.

Veja outros 16 médicos vítimas da Covid-19 em MT

O pediatra Reinaldo Rodrigues de Oliveira, de 73 anos, perdeu a vida no dia 28 de junho, na Capital, e foi o segundo médico de Mato Grosso que morreu em decorrência da doença. De acordo com o CRM-MT, ele trabalhou na área de pediatria por 35 anos.

O clínico geral Marcel Baracat de Almeida, de 39 anos, morreu dia 9 de julho. Ele trabalhava no Hospital e Maternidade São Lucas, em Primavera do Leste. A vítima ficou três semanas internado em um hospital de Cuiabá, quando não resistiu às complicações da enfermidade e perdeu a batalha na mesma semana em que seu avô morreu também de Covid.O médico Gabriele Righetti Neto, de 45 anos, era otorrinolaringologista e morreu no dia 16 de julho. O profissional foi para o Paraná fazer tratamento e estava internado na UTI no Hospital da Cruz Vermelha, em Curitiba, quando não resistiu à doença e morreu.

O médico Fernando Augusto Moreno Gurginski, de 26 anos, morreu no dia 18 de julho, em Cuiabá. Ele tinha se formado na UFMT em 2018 e trabalhava em pronto-atendimento. Ficou intubado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) durante quase 20 dias.

O ortopedista Walter Tapias Tetilla, 65 anos, também faleceu no dia 18 de julho, na Capital. Ficou internado por aproximadamente um mês, mas o quadro se agravou e ele não resistiu às complicações do novo coronavírus.

O médico Clodoaldo Pirani Júnior, de 47 anos, morreu no dia 25 de julho, em Barra do Garças. Ele passou 22 dias internado, quando foi vencido pela doença.

O ginecologista do Hospital Geral e Maternidade de Cuiabá, Moyses Nadaf Neto, de 65 anos, morreu dia no dia 26 de julho. Ele estava internado com coronavírus em um hospital particular de Cuiabá.

O médico Valentim Neder perdeu a luta contra a doença no dia 9 de agosto em um hospital de Rondonópolis. O profissional era servidor da secretária municipal de Saúde de Alto Garças. Por conta da gravidade dos sintomas do vírus, Valentim havia sido transferido para uma UTI de Rondonópolis.

A médica Monique Silva Batista, de 29 anos, foi vencida pela Covid no dia 10 de agosto, em Cuiabá. Ela estava internada há aproximadamente um mês na UTI do Hospital Amecor, na Capital. Ela trabalhava no Hospital Coração de Jesus de Campo Verde, e também atendia em postos de saúde na zona rural da cidade.
Marco Aurélio Rodrigues Lima, de 68 anos, era clinico geral, anestesista e médico do trabalho. Ele faleceu no dia 25 de agosto. O profissional havia perdido a mãe pela mesma doença três dias antes de partir. O médico estava internado em Goiânia e residia em Barra do Garças.

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A médica Izabel Cuim, de 58 anos, morreu no dia 31 de agosto, na Santa Casa de Rondonópolis, após ficar internada cerca de um mês. Ela morava no município de Juscimeira e trabalhava no Distrito de Santa Elvira e no Hospital Municipal São Francisco de Assis. Izabel deixa dois filhos, que também são médicos e atuam em Paranatinga e no Paraná.

O médico neurologista Alexandre da Rocha Serra morreu no dia 1º de setembro, na Capital. Ele atuava no Hospital Geral de Cuiabá (HG) que lamentou a morte do profissional por meio de nota.

O especialista em oncologia clínica, Guido Vaca Céspedes, de 56 anos, morreu no dia 2 de setembro, em Sinop. Ele era especialista em oncologia clínica e foi o médico responsável técnico pela criação do ‘Kit Covid-19’ em Sinop.

O ginecologista e obstetra Valdir Faria de Moraes, de 76 anos, faleceu no dia 2 de setembro, após ficar 15 dias internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular de Rondonópolis.

O médico Luiz de Gonzaga Figueiredo morreu no dia 8 de setembro e atuava nas áreas de cirurgia geral e medicina do trabalho. Foi para São Paulo fazer tratamento contra a doença, quando veio a perder a luta da doença no município paulista. O médico trabalhou por anos na Santa Casa de Cuiabá.

O ginecologista e obstetra Nelson Hasegawa, de 71 anos, morreu no dia 22 de setembro, na cidade de Lucas do Rio Verde. Estava internado em um hospital em São Paulo, mas não resistiu às complicações do vírus. Deixou quatro filhos que também são médicos.

Pesar

O CRM-MT lamentou todas as mortes dos profissionais da área da saúde que honraram a profissão, mas foram vencidos pelo vírus que já afetou milhares de vidas no Brasil desde o início do ano.

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Saúde

Agência Brasil explica: conheça os tipos de vacina contra covid-19

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As vacinas contra a covid-19 estão sendo desenvolvidas em velocidade sem precedentes, e, além da rapidez, os projetos em andamento buscam comprovar a eficácia e a segurança de tecnologias inéditas, que, futuramente, podem modernizar outras vacinas já em uso no mundo.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre as quase 200 propostas de vacinas em testes, 44 chegaram à fase de experimentação em humanos, chamada de estudos clínicos. Dessas, um grupo de 10 projetos atingiu a fase três de estudos, em que dezenas de milhares de voluntários são recrutados para comprovar se a vacina é mesmo capaz de proteger sem causar danos à saúde.

Por ainda apresentar grande circulação do vírus, o que acelera as pesquisas, o Brasil tem sediado alguns desses testes com milhares de participantes. Receberam autorização para experimentos de larga escala no país as vacinas desenvolvidas pelos laboratórios AstraZeneca/Oxford, Sinovac, Janssen e Pfizer/Biontech/Fosun Pharma.

Com técnicas já utilizadas pela ciência ou novas formas de induzir a resposta imunológica, as vacinas que chegaram ao último estágio de testes têm um mesmo objetivo: levar ao organismo informações importantes que desencadeiem a produção de defesas ao novo coronavírus de forma antecipada. A Agência Brasil explica as principais estratégias elaboradas pelos cientistas para que as vacinas sejam eficazes e seguras.

Proteína S

Quando o corpo produz anticorpos contra um vírus ele é estimulado por estruturas específicas que compõem esses seres. No caso do coronavírus causador da covid-19, os cientistas descobriram que a proteína S, que forma a coroa de espinhos que dá nome ao vírus, é a estrutura que mais provoca o sistema imunológico a produzir anticorpos. Essa proteína também é fundamental para a infecção: é com os pequenos espinhos formados pela proteína S que o novo coronavírus se conecta às células humanas e inicia a invasão para poder se replicar.

O diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, explica que antecipar o contato do corpo com a proteína S é uma estratégia comum aos principais projetos em curso. “As vacinas têm como alvo principal a indução de anticorpos contra essa proteína S. Os anticorpos são, em geral, neutralizantes. São capazes de neutralizar a atividade do vírus”.

Vacinas de vírus inativado

Entre as dez vacinas que chegaram aos estudos clínicos de fase 3, três propostas desenvolvidas na China utilizam a técnica conhecida como vacina de vírus inativado: a da Sinovac, que está em testes no Brasil em parceria com o Instituto Butantan e o governo de São Paulo, a da Sinopharm com Instituto de Produtos Biológicos de Wuhan, e outra da Sinopharm com o Instituto de Produtos Biológicos de Pequim.

Caixas com potencial vacina da Sinovac contra Covid-19 em Pequim
Caixas com potencial vacina da Sinovac contra Covid-19 em Pequim – Reuters/Direitos Reservados

A estratégia leva esse nome porque a vacina contém o próprio vírus morto, o que é chamado tecnicamente de inativado. Essas vacinas são comuns na prevenção de diversas doenças, como a poliomielite, a hepatite A e o tétano, e provocam o corpo a produzir as defesas a partir de um contato antecipado e inofensivo com o vírus.

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“Nessa tecnologia, se cultiva o vírus em laboratório, e, depois de ter uma grande quantidade, você inativa, mata o vírus em linguajar mais popular, através de temperatura ou substâncias químicas. Ele fica um vírus inteiro, morto, inativado, mas com essas proteínas conservadas e capazes de induzir uma resposta imune”, explica Kfouri. “A única dificuldade é que você precisa de laboratórios com nível de biossegurança elevado para manipular o vírus vivo, precisa cultivá-lo, e tem um tempo de multiplicação desses vírus pra depois inativar. São processos que requerem um tempo maior e um nível de segurança máximo dos laboratórios, porque vão manipular vírus com potencial infectante”.

Vacinas de vetor viral

Para fazer com que o corpo produza anticorpos capazes de neutralizar a proteína S, as vacinas de vetor viral não-replicante trazem uma proposta inovadora: a proteína do novo coronavírus é inserida em outro vírus, modificado em laboratório, para transportá-la para o corpo humano e não se multiplicar. Uma vez que a proteína chega ao corpo, o sistema imunológico a identifica e produz estruturas capazes de impedir sua ação no futuro, quando o novo coronavírus tentar causar infecção.

Essa tecnologia já estava em estudo para produzir vacinas contra o vírus ebola e coronavírus que provocaram surtos em anos anteriores, como o SARS-CoV-1, o que explica a velocidade com que foi possível direcionar as pesquisas ao SARS-CoV-2. Projetos como o da americana Janssen e o da chinesa CanSino utilizam adenovírus humanos para transportar a proteína S para o corpo humano.

O mesmo propõe o Instituto de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya, da Rússia, com a diferença de utilizar dois tipos diferentes de adenovírus, um em cada dose da vacina. Caso seja comprovada e registrada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a vacina russa deve ser produzida no Brasil pelo Grupo União Química.

Já a proposta britânica da farmacêutica AstraZeneca e da Universidade de Oxford usa um adenovírus de chimpanzé como vetor viral. Essa vacina encontra-se em fase de testes no Brasil, e o governo federal assinou um acordo de transferência de tecnologia para que a Fundação Oswaldo Cruz possa produzi-la.

um tubo de ensaio etiquetado com a vacina é visto na frente do logotipo da AstraZeneca
Vacina em testes da AstraZeneca – REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração/Direitos reservados

“As vacinas são de adenovírus vivo, mas são não-replicantes. Eles retiram da estrutura do adenovírus as proteínas responsáveis por sua multiplicação. Esses adenovírus são vírus de resfriado”, explica Kfouri, que acrescenta que os adenovírus foram escolhidos para transportar a proteína S porque provocam pouca resposta imunológica, permitindo que o corpo concentre sua reação na proteína do coronavírus.

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Vacinas genéticas

Outra tecnologia em testes, nunca antes usada em imunização, é a das vacinas de RNA ou DNA, que inserem ácidos nucléicos do novo coronavírus no corpo humano. Até este momento, apenas vacinas que utilizam RNA chegaram à fase três de estudos clínicos, e seu funcionamento prevê que, ao entrar no organismo, o ácido nucléico do novo coronavírus fará com que as próprias células humanas produzam a proteína S, que, por sua vez, desencadeará a produção de defesas no organismo.

Caso a eficácia e segurança seja confirmada, essa tecnologia é considerada mais rápida para a produção em larga escala, já que a vacina utiliza RNA sintético, o que dispensa o cultivo do vírus em laboratório. Os estudos em fase 3 que buscam confirmar a eficácia e segurança de vacinas de RNA estão sob o comando da farmacêutica americana Moderna em parceria com o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, e do grupo de pesquisa que reúne a também americana Pfizer, a alemã Biontech e a chinesa Fosun Pharma.

Kfouri explica que as pesquisas que utilizam vacinas de RNA também caminharam rápido por terem partido de estudos que já estavam em andamento para desenvolver vacinas contra outros coronavírus e o ebola. “Essa tecnologia tem um potencial de ser utilizada em muitas outras vacinas, por essa capacidade de rápida produção. Pode ser que, se der certo, a gente migre outras vacinas que a gente já usa hoje para essa plataforma”.

Vacinas proteicas sub-unitárias

Frasco rotulado como vacina contra Covid-19 em foto de ilustração
Vacina – REUTERS/Dado Ruvic/Illustration

A quarta tecnologia que está em desenvolvimento e já chegou aos estudos de fase 3 é a das vacinas proteicas sub-unitárias, que propõem a injeção da proteína S e outras proteínas do novo coronavírus diretamente no corpo humano, sem o intermédio de vetores virais.

Entre as dez vacinas em estudos de fase três, a única desse tipo é a produzida pela farmacêutica americana Novavax.

“Elas levam pedacinhos do vírus, como a gente faz com a vacina da gripe e do HPV. A gente pega pedaços da proteína S, da proteína M, da proteína E, e faz vacinas com esses fragmentos do vírus, que também precisa ser cultivado e inativado, só que em vez do vírus inteiro, a vacina leva partículas virais, subunidades do vírus”.

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