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“A Favorita” satiriza jogos de poder na Inglaterra do século XVIII

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A opulência da corte inglesa do século XVIII é magnificamente capturada por Yorgos Lanthimos
nesse seu terceiro filme em língua inglesa, que também é onde o grego está mais contido. O que não quer dizer que a perversidade com que observa seus personagens não se manifeste nessa comédia do absurdo que se pretende “A Favorita”, um filme sobre intrigas palacianas, mas também uma sátira política aguda.

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Emma Stone brilha em A Favorita, que está em cartaz na Mostra de Cinema de São Paulo e estreia comercialmente no Brasil em fevereiro de 2019
Divulgação

Emma Stone brilha em A Favorita, que está em cartaz na Mostra de Cinema de São Paulo e estreia comercialmente no Brasil em fevereiro de 2019

Como se não bastasse o olhar feroz de Lanthimos, que pela primeira vez não dirige o próprio material, o excelente roteiro é assinado por Tony McNamara e Daborah Davis, “A Favorita”
ostenta três atrizes em estado de graça. É difícil apontar quem está melhor, mas Emma Stone
certamente tem a personagem mais insinuante e se beneficia candidamente disso.

Quando o filme começa logo percebemos que Sarah Churchill (Rachel Weisz) domina muito tranquilamente a rainha Anne (Olivia Colman), que se comporta infantilmente e não tem a mínima noção de como governar de fato. Além de ter alguns problemas de saúde, a rainha parece somatizar bastante, algo que facilita as abordagens de Lady Sarah para a corte e para o país, em guerra com a França.

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O cineasta grego Yorgos Lanthimos orienta Olivia Colman nos sets de A Favorita
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O cineasta grego Yorgos Lanthimos orienta Olivia Colman nos sets de A Favorita

Essa relação já muito cômoda será estremecida com a chegada de Abigail (Stone), uma prima distante de Lady Sarah que perdeu seus títulos por causa dos vícios do pai. Mas como logo percebemos, Abigail é muito hábil em sua promoção e dona de uma elaboração intelectual que não se pode menosprezar. As duas passam a rivalizar pela atenção da rainha e a maneira como esse conflito reflete nos rumos do País, e da guerra, é uma das belezas incontidas da produção.

Os homens são meros peões nessa batalha em que mulheres miram mulheres e o alpinismo social mede forças com as engrenagens políticas. Lanthimos divide sua obra em cinco capítulos que tangenciam a vaidade e a sede pelo poder como vértices das maquinações políticas. É um espetáculo de luxúria e luxo algo grotesco que ganha comentários particularmente inspirados em uma cena de dança abruptamente interrompida e em outra em que nobres se divertem lançando tomates em um homem.

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São, todavia, os diálogos entre Abigail e Lady Sarah que melhor revelam a sordidez daquele universo-bolha. Há momentos que “Ligações Perigosas” vem à mente, mas a natureza das ações das personagens aqui é mais espúria. Há agendas e outros alinhamentos e não apenas o prazer da manipulação. De toda forma, o parentesco é inegável.


Rachel Weisz em cena de
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Rachel Weisz em cena de “A Favorita”: de olho no Oscar 2019

Inegável também é a força criativa do trio de atrizes, que deve se destacar na vindoura temporada de premiações. Emma Stone é um acinte como a engenhosa e abusada Abigail. Rachel Weisz dá dimensão shakespeariana a uma personagem que vai ficando opaca conforme a trama avança, mas que é senhora das melhores metáforas do filme. Até mesmo naquela que ela eventualmente se materializa. Olivia Colman está soberba como essa mulher refém de carência e desejos e que não aceita as próprias inseguranças.

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Teatral e espetaculoso, mas minimalista em aspectos inesperados, “A Favorita”
é um triunfo de Yorgos Lanthimos. Além de prover as personagens femininas mais complexas do ano, escancara toda a fanfarronice dos ricos e as manobras políticas impetradas pela manutenção do poder.

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A Voz do Brasil faz 85 anos

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O programa de rádio A Voz do Brasil completa 85 anos nesta quarta-feira (22). Idade avançada para pessoas e para instituições no Brasil. Uma frase atribuída a Leonardo da Vinci, que morreu idoso para o seu tempo (aos 67 anos), sentencia que “a vida bem preenchida torna-se longa”.

Em oito décadas e meia, A Voz do Brasil preencheu a vida dos ouvintes com notícias sobre 23 presidentes, em mandatos longínquos ou breves. Cobriu 12 eleições presidenciais, e manteve-se no ar durante a vigência de cinco constituições (1934, 1937, 1946, 1967 e 1988).

programa cobriu a deposição dos presidentes Getúlio Vargas (1945) e João Goulart (1964), o suicídio de Vargas (1954), a redemocratização do país em dois momentos (1946 e 1985), o impeachment e renúncia de Fernando Collor (1992) e o impeachment de Dilma Rousseff (2016).

Além de notícias dos palácios do governo federal, A Voz do Brasil levou aos ouvintes informações sobre a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). O programa narrou as conquistas do país em cinco Copas do Mundo e a derrota em duas – a mais traumática em 1950. A Voz registrou a inauguração de Brasília (1960) e cobriu a morte de ídolos como Carmen Miranda (1955) e Ayrton Senna (1994).

Pelo rádio, e pela A Voz do Brasil, muitos brasileiros souberam da invenção da pílula anticoncepcional (1960), da descida do homem na Lua (1969), dos primeiros passos da telefonia móvel (1973), da queda do Muro de Berlim (1989) e da clonagem da ovelha Dolly (1998).

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Vida longa

A longevidade do programa A Voz do Brasil é assunto de interesse de historiadores e pesquisadores da mídia de massa no país. “É curioso como um programa de rádio se torna uma constância em um país de inconstância institucional, jurídica e legislativa”, observa Luiz Artur Ferrareto, autor de dois dos principais livros de radiojornalismo editados no Brasil.

Para Sonia Virginia Moreira, professora do Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a longa duração do programa “tem muito a ver com a própria longevidade do rádio como meio de comunicação. A morte do rádio foi anunciada várias vezes e ele segue como um veículo muito importante no Brasil.”

“Nenhum governo abriu mão dessa ferramenta fantástica. A longevidade vem da percepção que os diferentes governos tiveram que manter essa ferramenta era algo que trazia uma vantagem enorme para o governo do ponto de vista das suas estratégias e para seus objetivos”, acrescenta Henrique Moreira, professor de jornalismo e especialista em história da mídia no Brasil.

Curiosidades sobre A Voz do Brasil 

 A Voz Brasil nem sempre teve como trilha sonora de abertura trecho da ópera O Guarani (1870), de Carlos Gomes. O Hino da Independência (1822), composto por Dom Pedro I, e Aquarela do Brasil (1939), de Ary Barroso, também serviram para marcar o início do programa.

Inauguração da transmissão do programa A Voz do Brasil, Brasília, DF.
Inauguração da transmissão do programa A Voz do Brasil, Brasília, DF. – Arquivo Nacional

A longevidade do programa A Voz do Brasil é assunto de interesse de historiadores e pesquisadores da mídia de massa no país. “É curioso como um programa de rádio se torna uma constância em um país de inconstância institucional, jurídica e legislativa”, observa Luiz Artur Ferrareto, autor de dois dos principais livros de radiojornalismo editados no Brasil.

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Para Sonia Virginia Moreira, professora do Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a longa duração do programa “tem muito a ver com a própria longevidade do rádio como meio de comunicação. A morte do rádio foi anunciada várias vezes e ele segue como um veículo muito importante no Brasil.”

“Nenhum governo abriu mão dessa ferramenta fantástica. A longevidade vem da percepção que os diferentes governos tiveram que manter essa ferramenta era algo que trazia uma vantagem enorme para o governo do ponto de vista das suas estratégias e para seus objetivos”, acrescenta Henrique Moreira, professor de jornalismo e especialista em história da mídia no Brasil.

Curiosidades sobre A Voz do Brasil 

 A Voz Brasil nem sempre teve como trilha sonora de abertura trecho da ópera O Guarani (1870), de Carlos Gomes. O Hino da Independência (1822), composto por Dom Pedro I, e Aquarela do Brasil (1939), de Ary Barroso, também serviram para marcar o início do programa.

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