20 de janeiro de 2018 - 02:35

Polícia

10/01/2018 18:41

Estado tenta conter revolta de 51 mil servidores e pretende quitar toda folha até dia 15

Destes, 49,3 mil são profissionais da Educação que estão sem salários

O Governo de Mato Grosso chamou o Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público (Sintep-MT) para uma reunião de emergência no início da tarde desta quarta-feira (10). O motivo para o encontro é o fato de que servidores da pasta ficaram de fora do escalonamento salarial iniciado hoje.

No encontro, representantes do executivo estadual, como o secretário de Educação (Seduc-MT), Marco Marrafon, e o próprio governador Pedro Taques (PSDB), conversaram com o sindicato e pediram compreensão da categoria. Entre as justificativas apontadas pelo Governo para não pagar a folha da educação é a de que são cerca de 49 mil servidores e que não sobraria dinheiro para pagar outras pastas.

A reunião, de cerca de uma hora de duração, foi realizada na Casa Civil e contou com a presença do Chefe da pasta, Max Russi (PSB). O encontro chegou a ter por alguns instantes a presença do governador Pedro Taques.

Ele reafirmou a situação econômica complicada que o Estado passa e disse que a intenção é de quitar toda a folha até a próxima segunda-feira (15). “A alegação é de que neste momento, foram priorizados os profissionais da Segurança Pública e da Saúde”, disse uma fonte do FOLHAMAX.

Nem bem saiu de uma crise financeira que ameaçou o pagamento dos salários dos servidores do executivo, o 13º, e parte dos fornecedores da saúde em Mato Grosso, o Governo do Estado se vê, mais uma vez, com o pires na mão em janeiro de 2018 – um dos meses em que os brasileiros mais gastam com impostos. Alegando falta de recursos, apenas 45% dos trabalhadores do executivo devem receber nesta quarta-feira (10).

A Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT), a maior pasta do Governo, ficou de fora dos pagamentos. Além da Seduc-MT, os servidores das pastas da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz-MT), Planejamento (Seplan-MT), Casa Civil, Gabinete de Comunicação (Gcom), Gabinete do Governo e Vice-Governadoria também ficarão de fora dos pagamentos.

As secretarias respondem por R$ 180 milhões da folha de pagamentos, sendo que só a Seduc absorve R$ 159 milhões. FOLHAMAX consultou o Portal Transparência do Governo do Estado e constatou que, apenas na Secretaria de Educação, 49.327 servidores da ativa deixarão de receber nesta quarta-feira. No total, 51.169 trabalhadores do Poder Executivo ficarão sem os seus salários.

O Gabinete de Comunicação do Poder Executivo informou 37 pastas e entes da administração direta e indireta que receberão nesta quarta-feira. São elas: as secretarias de Segurança Pública (Sesp-MT), Saúde (SES-MT), Unemat, Indea, Meio Ambiente (Sema-MT), Gestão (Seges-MT), Procuradoria-Geral do Estado (PGE), Assistência Social (Setas-MT), Infraestrutura (Sinfra-MT), Ciência e Tecnologia (Secitec-MT), Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT), Casa Militar, Cultura (Sec-MT), Ipem, Intermat, Ager, Seaf, Jucemat, Funac, MT Saúde, Fapemat, GDR, GTCC, Agem/VRC, GAE e MT Prev. A Empaer, o Ceasa, a Metamat, a MT Gás, MTI e MT Par também entram no rol de instituições ligadas ao Governo de Mato Grosso que receberão nesta quarta-feira.

A falta de pagamento é uma ducha de água de fria para os servidores do Estado, uma vez que no final de dezembro de 2017, o próprio governador Pedro Taques (PSDB), além de outros integrantes do Governo, afirmaram que Mato Grosso entrava em 2018 com as finanças numa situação melhor do que a verificada no ano passado. O motivo da “euforia” foi o repasse de R$ 364 milhões pela União relativos ao Auxílio Financeiro de Fomento das Exportações (FEX), além da aprovação da PEC do Teto de Gastos, que segundo o próprio governador garantiria uma economia de R$ 1,3 bilhão aos cofres públicos estaduais em razão da suspensão do pagamento da dívida com a União.

LEONARDO HEITOR E DIEGO FREDERICI /folhamax


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