21 de abril de 2018 - 21:26

Educação

21/07/2017 13:21 G1

Alunos pagam mais de R$ 85 mil por ano em faculdade inglesa com mofo, rato e percevejo

Na primeira semana de aulas da London School of Economics and Political Science (LSE), a paulistana Nathalia Reale Knoll, de 25 anos, ficou com o corpo repleto de manchas e bolhas. Descobrir a causa no consultório médico foi um susto. "Eram 50 marcas nos braços, pernas, pés e mãos. Fui ao médico e me receitaram uma pomada de corticoide: provavelmente eram percevejos", lembra.

Segundo a mestranda em política global, moradora do complexo de residências estudantis Sidney Webb House, a direção da casa demorou duas semanas para dedetizar o quarto dela. A jovem se uniria a outros 270 estudantes que reclamam das más condições nos alojamentos.

Com alegações de graves problemas estruturais e de higiene, os moradores iniciaram uma campanha de financiamento coletivo para processar a instituição. Entre os problemas, eles listam aquecedores e elevadores sem funcionar, além de infestações de mofo, percevejos e até mesmo roedores. "No verão, tivemos uma infestação absurda de ratos nas cozinhas, por causa de buracos nas paredes e nos armários", conta Nathalia.  

Os problemas começaram em setembro, com o ano letivo, e se intensificaram durante o inverno. Segundo os estudantes, todo o sistema de ventilação dos prédios é extremamente falho, o que gerou uma proliferação intensa de fungos. Além disso, muitos aquecedores simplesmente não funcionaram: Nathalia teve que comprar um aparelho portátil para aguentar o inverno londrino.

"Sentia dores de cabeça constantes, dificuldade para respirar, enjoo, tosse e garganta seca, por causa do mofo. Muitos estudantes tiveram infecções respiratórias. No grupo do Facebook da Sidney Webb House, dezenas de queixas iam aparecendo, com pessoas com sintomas em comum", relata a estudante Nathalia Knoll.  

Barulho constante

Em meio a tantas reclamações, a direção da Sidney Webb House iniciou uma reforma em meados de abril, sem antecipar o fato para os alunos. Os estudantes contam que áreas comuns foram fechadas, elevadores pararam de funcionar, funcionários da reforma circulavam entre os corredores da casa sem restrição de horário, além do barulho da obra, que atrapalhava os alunos na rotina de estudos.

"Isso coincidiu com o período de preparação dos alunos para os exames finais. Eu tinha acabado de remover o siso e retornei para uma residência com poeira, cheiro de tinta, escombros, barulho constante de obras e de conversa dos funcionários no pátio. Eu estava pagando um preço salgado por um lugar que não era adequado para me recuperar, muito menos para levar uma vida saudável, de estudos", relata a americana Leah Marie Lucas, colega de Nathalia.

O complexo conta com seis blocos de sete andares cada um. São dois apartamentos por andar, que abrigam cerca de oito alunos em quartos individuais. Os cursos da LSE custam, em média, 21 mil libras esterlinas (cerca de R$ 86,6 mil) por ano. Além disso, a Sidney Webb House cobra 156 libras esterlinas (aproximadamente R$640) por semana para a hospedagem. Muitos brasileiros estudam na Inglaterra com bolsa, mas não é o caso de Nathalia: ela tirou todos os custos das próprias economias, além de contar com a ajuda dos pais. 

Processo

Leah e Nathalia fazem parte de um grupo de cerca de 270 alunos que se mobilizaram para reivindicar condições mais salubres junto à LSE. Depois de meses de tentativa de diálogo sem grandes avanços, os jovens decidiram fazer um financiamento coletivo para processar a instituição. O objetivo do grupo é conseguir 5 mil libras esterlinas (cerca de R$ 20,6 mil).

Nos comentários de quem ajudou, alguns ex-moradores da Sidney Webb House relatam experiências similares em anos anteriores. "Eu morei lá de 2013 a 2014 e posso corroborar com as reclamações dos alunos. Chuveiros gelados, quartos inaceitavelmente úmidos e mobília quebrada eram a norma", comentou uma colaboradora, identificada apenas como Katie.

Até a tarde desta quinta-feira (20), o grupo de estudantes havia conseguido cerca de 2,9 mil libras esterlinas. A campanha vai até 5 de agosto, data limite para a meta ser alcançada. O G1 contatou a LSE, mas ainda não teve resposta.

 


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